25 de jul. de 2007

Canto da Terra :: O início

Como parte do trabalho de conclusão da disciplina de Radiojornalismo do curso de Jornalismo do IPA, o intrépido grupo: Lucas Cardoso, Jeofré Adamis, Lucas Rivas e Carlos Tiburski produziu o programa Canto da Terra. Um breve documentário que tenta restabelecer o diálogo com a cultura Mbyá-Guarani, mas sem a prática das classes dominantes em ser a escritora exclusiva da história: aqui ela é feita em conjunto com o povo Guarani.

Para tanto, o programa Canto da Terra esteve na Reserva Indígena Guarani do Canta Galo, que fica na divisa entre Viamão e Porto Alegre (RS/Brasil) e conversou com o cacique da aldeia, Dário Tupã Moreira. Do encontro nasceu o documentário que apresentamos agora como forma de valorização da cultura indígena no Brasil. Bom proveito e audição... Aumente o som!

Canto da Terra :: O encontro

Dário Tupã Moreira, cacique da Reserva Indígena Guarani do Canta Galo

Definitivamente fazer uma reportagem ou algum trabalho consistente em uma reserva indígena não é fácil. Há uma exploração histórica que persiste até hoje e pontua a relação que o homem branco tem com os brasileiros originais. Pois antes da varíola e outras pestes aportarem no continente latino-americano, tínhamos a Pindorama: terra apenas de karai... Quem se atreve a cantar o Hino Nacional em Guarani? OUÇA então!

E mesmo que a atitude arisca e ressabiada do indígena seja um complicador na hora da comunicação, pois na nossa atribulada vida moderna (Juruá rekó), raramente paramos para ouvi-los com o respeito e a atenção merecida. Ainda sim, fomos recebidos de coração aberto no Oo (casa) do agente de saúde da Tekoá (aldeia) e padeiro com formação recebida no IPA, José Pereira. Foi um bate-papo descontraído e nem um bom mate faltou. Outra herança deles!

Canto da Terra :: A entrevista

Da esq. para a direita: Lucas Rivas, Suzana, Marciano, Juliana, Dário e José

Após o primeiro encontro na aldeia, tínhamos conteúdo jornalístico para literalmente expor as mazelas cotidianas. Dá ibope e causa polêmica. Mas o compromisso ético e moral em fazer um jornalismo engajado socialmente passa por escolhas menos glamourosas. Preferimos, portanto, não transformar a nossa fonte em um objeto distante e frio de estudo e evitar uma superexposição desnecessária e infrutífera. Pois sabemos que este tipo de jornalismo atende apenas os interesses econômicos e sensacionalistas de grandes grupos. E do próprio leitor que morbidamente busca com avidez esse tipo de notícia.

Nesta empreitada tive ao meu lado Lucas Rivas, que fez questão em participar das entrevistas: "acho que vai ser bom para o meu crescimento ter este contato com eles". E foi mesmo! Chegamos atrasado, mas a cena é marcante. Ver uma senhora mais pele e osso do que carne a beira do fogo com os pés nús. Era a Pajé, só depois fiquei sabendo. No meio da entrevista ela sumiu no meio da mata sem dar sinal. Desapareceu, mas antes autorizou o cacique a dar a entrevista e pediu uns rolos de fumo para os rituais na Opy (Casa de Reza). Ainda estou na dívida.