Canto da Terra :: A entrevista
Após o primeiro encontro na aldeia, tínhamos conteúdo jornalístico para literalmente expor as mazelas cotidianas. Dá ibope e causa polêmica. Mas o compromisso ético e moral em fazer um jornalismo engajado socialmente passa por escolhas menos glamourosas. Preferimos, portanto, não transformar a nossa fonte em um objeto distante e frio de estudo e evitar uma superexposição desnecessária e infrutífera. Pois sabemos que este tipo de jornalismo atende apenas os interesses econômicos e sensacionalistas de grandes grupos. E do próprio leitor que morbidamente busca com avidez esse tipo de notícia.
Nesta empreitada tive ao meu lado Lucas Rivas, que fez questão em participar das entrevistas: "acho que vai ser bom para o meu crescimento ter este contato com eles". E foi mesmo! Chegamos atrasado, mas a cena é marcante. Ver uma senhora mais pele e osso do que carne a beira do fogo com os pés nús. Era a Pajé, só depois fiquei sabendo. No meio da entrevista ela sumiu no meio da mata sem dar sinal. Desapareceu, mas antes autorizou o cacique a dar a entrevista e pediu uns rolos de fumo para os rituais na Opy (Casa de Reza). Ainda estou na dívida.


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